Como vimos na primeira parte, o comportamento consumidor tem levado a indústria da embalagem a segmentação de mercado. Nesse sentido, temos motivações claramente mercadológicas e motivações que se vinculam à ordem do desejo, do insaciável. Os consumidores, que são a verdadeira razão de ser da embalagem, consideram-na algo muitíssimo importante em suas vidas. Para eles, a embalagem e o produto constituem uma entidade indivisível. Um item cada vez mais relevante no processo de escolha dos produtos.

Considerando o contexto, é importante se basear nos dados ABRE – Associação Brasileira da Embalagem – que apontam as embalagens como responsáveis por 80% das tomadas de decisão de compra nos pontos de venda.

A embalagem como simulacro de sensações e sentimentos

O modelo de vida ideal, difundido pelos meios de comunicação de massa, provoca reflexos imediatos nos objetos que se transformam em fetiches. Sendo assim, estes aparecem esvaziados de suas características materiais funcionais, tornam-se personificados, simulacros responsáveis pela realização dos desejos dos consumidores. Agora, além da compra de objetos, compramos também “atitudes” e “estilos” personalizados. Não se vende o produto, vende-se sonhos. O design da embalagem se favorece a partir dessas circunstâncias, pois, na era do visual, o objeto tem sido mais valorizado pelos ideais que ele possa transmitir que por qualquer outro sentido. A embalagem, aqui também tratada como objeto, assume seu papel de condutora não só de produtos, mas dos conteúdos ideológicos a eles empregados. Segmentação ilusória de atendimento às necessidades “específicas” de cada indivíduo, conferindo-lhe “diferenciação”, mas que serve apenas de ardil para uma maior intensificação do consumo. Segundo a diretora executiva da ABRE, Luciana Pellegrino:

…há uma relação inconsciente de empatia e identificação com este conjunto produto embalagem, satisfazendo a pessoa em suas necessidades reais (sede, fome, hidratação etc), mas também de forma subjetiva (a necessidade de se sentir melhor, de se cuidar, de fazer bem a um ente querido etc)”.

A importância da valorização do Indivíduo

Cada produto apresenta-se como individual; a individualidade contribui para o fortalecimento da ideologia, na medida em que se desperta a ilusão de que é um refúgio de imediatismo e de vida. Dentro do contexto, as marcas se revelam aos consumidores como fator de diferenciação e auxilia no atendimento de seus anseios e expectativas. Outras tendências de comportamento tais como: mito da juventude e o paradigma da vida saudável, também sinalizam excelentes oportunidades para as empresas de embalagem, pois, cada vez mais, o consumidor tem se mostrado menos fiel às marcas e mais vulnerável à novas experiências.

Sendo assim, a embalagem pode atuar como um dos principais elementos na conquista e preferência do consumidor. Neste contexto, a embalagem passa a responder pela identificação do produto com o seu público, pois, num universo de 200 mil produtos, fica quase impossível ao consumidor identificar e escolher os novos lançamentos. Bem como os produtos tradicionais, sem que estes indiquem precisamente a que público se dirigem.

Informar o conteúdo, destacar seus diferenciais competitivos e indicar com clareza para quem o produto foi criado são os itens de maior importância apontados na pesquisa da ABRE . Nessa mesma pesquisa ficou constatado que “a embalagem do sonho do consumidor é aquela que ele considera ter sido feita exclusivamente para ele”. Isto deixa claro a necessidade que o consumidor tem de se identificar com o produto através da embalagem, e a importância que tem para ele o fato de poder sinalizar isso claramente.

Para contextualizar e ilustrar essas ideias, cabe o trecho do livro “O pequeno príncipe”:

Essa seria a relação entre consumidor e embalagem

Seu produto pode se tornar essencial na vida de uma pessoa, desde que esta seja seduzida à experimentação do produto. E que tenha com ele uma boa experiência! Sendo assim, a embalagem além de ser o elemento atrativo para a compra, também será a responsável pelos estágios associativos entre o pensamento e a ação do consumo.

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